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O Coliseu Avenida

Posted: 11 de Maio de 2013 in Saudações e Desabafos

Coliseu AvenidaE eis que se cantam parabenizações e cânticos sagrados por detrás do pano: faltam quatro primaveras para o centenário! A cortina abriu-se pela primeira vez numa quinta-feira, aos dez dias de Maio de 1917, e na altura não era micaelense, fora baptizado de Coliseu Avenida.

Naquele dia inaugurador, o navio italiano de 78 toneladas “Leone XIII” conheceu o fundo do Mediterrâneo, afundado pelo U-Boat UC 35; nos Açores, um submarino alemão atacaria São Miguel dois meses depois, levando uma vida, semeando o pânico e levantando o alvoroço militar na região. Decorria a Primeira Guerra Mundial há quase 3 anos, e apesar das rezas para que acabasse depressa, ninguém apostava que o seu fim chegasse ano e meio depois. Naquele ano de russas revoluções, também a ousada dançarina Mata Hari fora presa em França: acusada, julgada e fuzilada por espionagem dupla, embora ainda faltasse muito para rodarem os filmes da história dela; não havia DVD e nem sequer VHS: quem quisesse cinema tinha mesmo que meter a sola no chão e ir aos recintos — mesmo que ainda unicamente películas mudas. Em 1917, os livros eram populares em papel, não em formato digital, e o bestseller americano era “Mr. Britling Sees It Through”, de H. G. Wells, apesar de Karl Adolph Gjellerup ter arrecadado o Nobel da Literatura. Foi um ano fértil: baptizou-se o fecho éclair de “zipper”, inventou-se o verniz das unhas, o aquecedor de água eléctrico e o interruptor com comutador. A “Converse Rubber Company of Massachusetts” lançou as All Star, e o basquetebolista Charles “Chuck” Taylor deu a sua assinatura à marca de sapatilhas.

Presidia a um grupo de micaelenses de gema o Dr. José Maria Raposo do Amaral, que encomendaram o projecto do coliseu ao arquitecto António Ayla Sanches, e foi Pedro de Lima Araújo um dos impulsionadores mais caprichosos da sala de espectáculos açórica. Depois, adquirida em 1950 pela Companhia de Navegação Carregadores Açorianos, passou a classificar-se como Coliseu Micaelense, e integrou a “Cinaçor”.

Coliseu Antigo

Depois de uma administração imortalizada de aproximadamente quarenta anos por António dos Santos Figueira, iniciou-se a degradação e o abandono que acompanhou a tendência nacional dos teatros circenses: friamente trocados por cineteatros — mas duraram só até ao início deste século até começarem a ser demolidos. Bom, mas este coliseu aguentou-se pelo menos até 2002, quando o município da cidade o adquiriu à Fundação dos Botelhos de Nossa Senhora da Vida e iniciou o projecto de recuperação. A sociedade anónima avançou com os desenhos da Rogério Cavaca Arquitectos e reabilitou o edifício, com reinauguração no primeiro mês de 2005, seguindo-se a digna direcção de José Andrade.

O preciosismo das famosas cadeiras basculantes em madeira maciça, a versatilidade do formato arena à italiana, a sequência de balcões, as linhas exteriores à moda do Coliseu dos Recreios, os interiores requintados como o seu irmão de Lisboa, os apontamentos decorativos em ferro, a cúpula magistral e os círculos concêntricos do logótipo — tal símbolo de Atlântida perdida —, concedem ao coliseu a mística dele próprio, a magia do espectáculo, a reverberação do café-concerto, a fascinação do circo e a paixão dos bailes carnavalescos. Como se não bastasse, o palco é coroado com esculturas de Canto da Maia, e o pano da boca-de-cena pintado por Domingos Rebelo. Sentir o peso daquele estrado debaixo dos pés é arrepiante, principalmente perante uma casa com 1700 lugares. O Coliseu Micaelense não é só o “símbolo de uma geração”, é também a morada do deslumbramento.

Orquestra de Câmara

E foi nesse ambiente que a Orquestra de Câmara de Ponta Delgada, associada ao Programa Cultural Municipal das Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, brotou em concerto no foyer. Grigori Spektor dirigiu, e Yuri Pankiv flautou Vivaldi em Fá maior, assinalando o começo da organização das vivacidades da orquestra por parte da Quadrivium.

São momentos históricos para juntar ao riquíssimo repertoire museológico da casa. E sim, também ficam na aurícula!

Vamos encetar!

Posted: 15 de Setembro de 2011 in Saudações e Desabafos

Caros amigos,

Sejam bem acolhidos nesta aventura blogueira que agora tem a sua premiére! Diz-se que os agradecimentos devem ser colocados no fim, mas é mesmo o contrário que vou fazer: vou começar mesmo por aí. Agracio todo o feedback que me tem chegado dos meus mais chegados amigos/as e queridos/as pelas redes sociais - que agora parecem ser o meio de comunicação mais eficaz -, por mensagens de todo o tweepo, e até pessoalmente! A força que me tem chegado para profissionalizar o aspecto do pedromaia.com, foi fundamental para dar este passo tão importante… Obrigado! P.S.: Mas não deixo de tentar olvidar o que ouvi certa vez em comentário… “Faz mazé um saite descreto!”

Colocar este primeiro post no site parece-me algo estranho. Isso talvez se resuma à necessidade de adaptação a estes novos ambientes que deixam de parte a chatice de uma edição em html de uma página da internet. O hábito de editar código parece ainda revoltar-se dentro da minha víscera mais profunda, nas entranhas da minha essência… Mas cedo irei habituar-me – ou neste caso, desabituar-me.

Agarremos as nossas road-cases e façamo-nos à estrada! Abram caminho para os músicos açorianos e deixem voar os génios que os possuíram à nascença! Mesmo que esse caminho tenha de ser trilhado por mar, não deixará de ser calcado; nem que para isso usemos um par de remos – nunca um par de uma outra cousa qualquer! No entanto, um par de bilhetes de avião nunca será recusado, será sempre uma ajuda vinda dos céus… literalmente!

Vou fazer por compartir convosco alguns dos projectos musicais do passado e o evoluir dos projectos musicais do presente - e serão esses últimos, os do futuro! Além disso, vou também fazer chegar um pouco do que se faz de música nos Açores, e não deixarei de comentar aquilo que achar merecedor disso – ou não.

Acho por bem dizer que não irei dar espaço de antena a comentários relacionados com a utilização – ou não – do acordo ortográfico. Irei utilizá-lo (o acordo) da forma que mais se me ajustar, mesmo que seja para me poder desculpar de alguma calúnia ou mal-dizer!

Estou certo que vos irei entreter o suficiente para visitarem o blog mais que uma vez!

Ensurdeçam-se com música!!!

Um bem haja,
Pedro Maia